Shinrin-Yoku , uma prática de cura na floresta

Segundo a tradição japonesa, a definição de banho se estendeu a floresta, onde elementos como árvores e vegetação reforçam as nossas ligações com a natureza. Mais conhecida como shinrin-yoku, que se traduz como ‘banho de floresta’, esta é uma prática que pode trazer diversos benefícios para a saúde física e psicológica, quando experimentada em profundidade, através de nossos sentidos.floresta2

Em estudos científicos realizados pela Nippon Medical School, ficou comprovado que um banho de floresta é capaz de melhorar o nosso sistema imunológico, devido aos aromas desprendidos das árvores, flores, madeiras e folhas e, que seus respectivos óleos essenciais possuem diversas propriedades medicinais que atuam diretamente no nosso sistema límbico, através do olfato. Além de regularem a frequência cardíaca e a pressão arterial e também promoverem uma diminuição nas concentrações de cortisol em comparação com os ambientes urbanos.

Testes feitos pelo Centro de Meio Ambiente, Saúde e Ciências da Universidade de Chiba demonstraram que shinrin-yoku é também uma prática eficaz e de baixo custo, quando aplicada para proporcionar mais saúde e bem-estar. Tendência esta, valorizada e também seguida por outros países, como a Coreia do Sul e a Finlândia.

Então, ao entrar em uma floresta ou mata …

Leve todos os seus sonhos e alegrias com você. Mas, também não se esqueça de seus problemas e preocupações. Nunca se sabe, o que você irá precisar soltar.

E se durante o trajeto, alguma lágrima insistir em cair, não a segure não. Deixe-a fugir, ela irá te dar uma nova percepção ao limpar sua visão. Possibilitando que você enxergue as coisas com um pouquinho mais de definição.

floresta3Principalmente as que você ainda não consegue estabelecer uma relação. Ou aquelas que residem em sua mente a muito tempo, já sem nenhuma razão.

No inicio, volte seu olhar para o chão e se esbarrar em alguma pedra, deixe tudo o que você trouxe com ela. E não se preocupe, ela com certeza, saberá o que fazer.

Depois, se despeça e não deixe de agradecer. Assim, sem nenhum apego ou indecisão. E o mais importante de tudo, simplesmente se esqueça de pegar de volta.

Caminhe descalço e totalmente desarmado. Se atreva e persiga seus passos, sem nenhuma pretensão. Apenas, procure sentir as folhas caídas no chão. Aprecie sua forma, sua textura e a beleza de sua coloração. E sempre que possível, seja educado e respeite os insetinhos e pequenos animaizinhos que ali, residem e da terra, fizeram seu lar.

Como certa vez, disse Khalil Gibran  …

Nunca se esqueça de que a terra gosta de sentir os seus pés descalços e de que o vento anseia por brincar em seus cabelos.”floresta4

Então, deixe que a terra equilibre sua energia, te libertando dos seus excessos e te suprindo, em suas carências.

Ouça o canto dos pássaros e também o rangido das árvores, além dos sussurros do vento. Preste atenção, pois tudo tem sua própria expressão.

Reverencie o sol e desfrute de seu abraço morno. Deixe a ansiedade se dissipar e renda-se à sua verdadeira natureza. Respire fundo e deixe tudo se equilibrar.

E não segure nada, nem por medo e nem por ilusão, pois apego é uma oportunidade de se viver em vão.  Largue tudo e permita ser conquistada pela natureza. Se conecte com as suas energias mais profundas e se reconheça, como parte do caminho.

Então, tome hoje e amanhã, um banho de floresta ou de mata. E se gostar, repita sempre. Se possível, todos os dias. Pois sempre há um jardim à tua espera …

E aí, gostou? Então, volte sempre e muito obrigado pela sua companhia.

Abs, Glau Pereira

by Glau Pereira, on 21/03/2017